Seguidores

sábado, 10 de dezembro de 2016

Ex-dirigente da Odebrecht cita Temer e mais 34 em delação

Ex-responsável pela área de Relações Institucionais da Odebrecht, maior empreiteira do país, Claudio Mello Filho citou em seu acordo de delação premiada ao menos 35 políticos, entre governistas e oposicionistas. No chamado anexo que contém os resumos do que será tratado na colaboração, Mello Filho promete relatar em detalhes aos investigadores sua relação com os principais integrantes da cúpula do PMDB, atingindo em cheio o núcleo duro do governo Michel Temer.
Mello Filho contou que foi acertado pagamento de R$ 10 milhões por Marcelo Odebrecht ao PMDB, em jantar no Palácio do Jaburu que teve em maio de 2014 com Temer e peemdebistas. Parte dos recursos foi entregue em dinheiro vivo no escritório de advocacia de José Yunes.
Segundo ele, “claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais
peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião”.
O executivo disse que temas de interessa da empresa eram colocados a Temer, como quando entregou ao peemedebista uma nota sobre a atuação da companhia em Portugal, sendo que ele faria uma viagem institucional. “Esse exemplo deixa claro a espécie de contrapartida institucional esperada entre público e privado”.
Mello Filho afirmou ainda que parte dos recursos acertados para Temer foi destinado para Paulo Skaf que se candidatou ao governo de SP em 2014.
Em seu acordo, o executivo afirmou ainda que o ministro Eliseu Padilha, de “codinome primo” centralizava arrecadações para Temer, então candidato a reeleição a vice-presidente nas eleições de 2014. Segundo o ex-empresário, Padilha atua como verdadeiro “preposto de Michel Temer e deixa claro que muitas vezes fala em seu nome.”
“Esse papel de ‘arrecadador’ cabe primordialmente a Eliseu Padilha e, em menor escala, a Moreira Franco.”
De acordo com o delator, Padilha foi o representante escolhido por Temer que recebeu e endereçou os pagamentos realizados a pretexto de campanha solicitadas por Temer. “Este fato deixa claro seu peso político, principalmente quando observado pela ótica do valor do pagamento realizado, na ordem de R$ 4 milhões”.
Mello Filho também diz que foram destinados para a cúlupa do PMDB do Senado mais de R$ 23 milhões, sendo que Romero Jucá centralizava a arrecadação, e envolve ainda o candidato do partido para a presidência do Senado, Eunício Oliveira, chamado de “índio” pela companhia. Ele afirmou que foram pagos R$2,1 milhões, a um preposto do senador, o valor foi dividido em duas parcelas, sendo uma paga em Brasília e a outra em São Paulo. Os pagamentos foram realizados entre outubro de 2013 e janeiro de 2014.
Os acertos financeiros tinham como objetivo além de estreitar relações conseguir aprovar propostas de interesse da Odebrecht no Congresso, como mudanças em medidas provisórias, que tratavam de medidas de mudança de regime tributária e de concorrência, por exemplo.
O delator contou também que Marcelo Odebrecht pediu que transmitisse um recado para Michel Temer e que teria procurado Moreira Franco. “O recado foi que ele teria tido uma reunião com Maria das Graças Foster, ex-presidente da Petrobras e ela teria perguntado expressamente a Marcelo Odebrecht quais pessoas do PMDB ele teria ajudado financeiramente na campanha eleitoral de 2010. Marcelo me disse que não respondeu a pergunta de Graça Foster, pois “não dizia respeito a ela a relação dele com o PMDB””, disse.
“Marcelo me pediu pressa na transmissão do recado. Sabendo da relação que ele mantinha com Michel Temer, procurei Moreira Franco e contei a ele o relato de Marcelo e, percebendo que era importante para Marcelo Odebrecht, pedi que ele transmitisse o quanto antes para Michel Temer”, completou.
O atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também é envolvido, sendo apontado que recebeu R$ 100 mil da Odebrecht para quitar dívidas de sua campanha à prefeitura do Rio de Janeiro. Maia é tratado pela empreiteira como Botafogo.
Os políticos negam irregularidades e afirmam que recursos recebidos ou negociados com Odebrecht se tratam de doações eleitorais previstas em lei.
No anexo da colaboração, consta a seguinte lista, com nomes e codinomes:
Michel Temer
Anderson Dornelles (ex-assessor de Dilma) “LAS VEGAS
Antônio Brito (deputado) Misericordia
Arthur Maia (deputado) (Tuca)
Ciro Nogueira (senador) cerrado // piqui
Delcídio do Amaral (ex-senador) (Codinome “FERRARI”)
Duarte Nogueira (deputado) corredor
Eduardo Cunha (ex-deputado) (Codinome “CARANGUEJO
Eliseu Padilha (ministro ) Codinome “PRIMO
Eunício Oliveira (senador) índio
Geddel Vieira Lima (ex-ministro) Codinome “BABEL
Gim Argello (ex-senador) Campari
Inaldo Leitão (deputado) todo feio
Jaques Wagner (ex-ministro) Codinome “POLO
José Agripino (senador)_ gripado – R$ 1 milhão que teriam sido solicitados por Aécio Neves.
Katia Abreu (senador)
Lúcio Vieira Lima (deputado)
Marco Maia (deputado_ (gremista
Moreira Franco (sectretário) (Codinome “ANGORÁ
Renan Calheiros (senador) Codinome “JUSTIÇA”)
Rodrigo Maia (deputado)
Romero Jucá (senador) Codinome “CAJU
** Senador Romário ( Foi pedida contribuição para sua campanha, mas a empresa não fez)
** Bruno Araújo ( tratamento institucional, sem referências a pagamentos)
– Adolfo Viana (BA) (“JOVEM”): R$ 50 mil
Lídice da Mata (BA) (“FEIA”): R$ 200 mil
Daniel Almeida (BA) (“COMUNA”): R$ 100 mil
Paulo Magalhães Júnior (BA) (“GOLEIRO”): 50 mil
Hugo Napoleão (PI) (“DIPLOMATA”): R$ 100 mil
Jutahy Magalhães (BA) (“MOLEZA”): R$ 350 mil
Francisco Dornelles (RJ) (“VELHINHO”): R$ 200 mil
Carlinhos Almeida R$ 50 mil
João Almeida R$ 500 mil na campanha de 2010
Rui Costa R$ 10 milhões

JOTA

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.