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sábado, 25 de março de 2017

Só um 'milagre' tira a saúde pública do Rio Grande do Norte da crise

A situação da saúde pública do Rio Grande do Norte é “quase inadministrável.” O diagnóstico assustador é feito pelo próprio secretário estadual de Saúde, George Antunes, em momento delicado e que beira o desespero.

A radiografia é aterradora: a Sesap/RN tem dívidas que superam os R$ 50 milhões, déficit de quase dois mil trabalhadores e déficit mensal de R$ 10 milhões.

Em entrevista ao jornalista Ricardo Araújo, da Tribuna do Norte, George Antunes revelou que a situação vai piorar ainda mais, justificando no desequilíbrio financeiro que afeta a pasta. Segundo ele, dos R$ 240 milhões necessários para o custeio da Sesap/RN no exercício 2017, a Secretaria do Planejamento e Finanças estima transferir R$ 165 milhões.

E não há sinais de que a Seplan abrirá o cofre ou se o cofre tem recursos para tirar a saúde pública da UTI. “As vezes que eu procuro (o titular da Seplan, Gustavo Nogueira) é para ouvir lamentos”, reclamou, desesperançoso.

Mas não é só isso.

A Sesap/RN sofre uma avalanche de cobranças judiciais para abrir 157 novos leitos de UTI até o final de 2018, para atenuar o déficit nos hospitais públicos na capital e no interior. A pasta não tem um centavo para investimento, logo as demandas vão bloquear a conta do Estado, comprometendo ainda mais a saúde financeira da área.

Os problemas refletem diretamente na saúde da população. São hospitais precários, desabastecimento, deficiência no corpo clínico. Por consequência, as pessoas carentes que sobrevivem dos serviços públicos estão na fila de espera para o atendimento

.  O retrato cruel é verificado nos corredores dos hospitais regionais, com superlotação e pacientes em macas. Em algum momento, a crise chega à situação insuportável com pessoas doentes deitadas no chão, como já foi flagrado no Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, ou a fila de ambulâncias do Samu estacionadas com pacientes dentro porque o maior pronto-socorro do RN, o Walfredo Gurgel, em Natal, não tem vagas para recebê-los. Pois bem… O grito de alerta foi dado pelo próprio secretário de Saúde do Estado.

Cabe ao Governo entender que a situação é de extrema gravidade. Deve ser observado que a crise não tem origem na atual gestão nem na gestão anterior. Na verdade, é um acumulado das últimas décadas sem que as autoridades públicas tenham tido o devido cuidado – ou capacidade – para adotar as medidas cabíveis.

O fato é que a saúde pública do RN enfrenta um câncer – com metástase – e exige o remédio urgente para, pelo menos, sobreviver ao tempo. O povo sofre na carne e na pele.

Fonte: Blog do Cesar Santos.

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