Uma sensação dolorosa, de maior ou menor intensidade, em qualquer parte
do corpo. Trata-se da definição do dicionário para a palavra dor . E
quando o assunto é essa sensação de diferentes intensidades, origens e
significados, os médicos são unânimes em alertar: muitas dores
subestimadas ou encaradas como corriqueiras podem ser avisos do corpo de
que algo não anda bem. Atentar para esses sinais o quanto antes é uma
das principais medidas preventivas indicadas pelos médicos. "A dor é um
mecanismo de proteção que avisa quando algo nocivo está
acontecendo no organismo – explica Ricardo Caponero, médico oncologista
da Clinonco – Clínica de Oncologia Médica, de São Paulo. "Não é preciso
esperar a dor para realizar alguns exames preventivos de
saúde, já que nem sempre ela está presente, mesmo em doenças graves
(como as fases iniciais do câncer, por exemplo). Mas há algumas dores
que nunca devem ser ignoradas." Mesmo as dores em uma mesma região do
corpo podem ter localizações
exatas e significados bastante diferentes. Um desses casos diz respeito
às dores abdominais. Elas podem ser subdivididas em diversas áreas da
faixa gástrica e intestinal, por exemplo, e apresentar diferenças sutis
que, por sua vez, levam a diagnósticos diferentes. "Um paciente com dor
no estômago que melhora logo após a alimentação
pode ter suspeita de úlcera no duodeno. Já a dor no estômago que piora
com a alimentação leva a uma investigação de úlcera ou mesmo de tumor no
estômago", exemplifica o gastroenterologista Antonio Luiz de
Vasconcellos Macedo, cirurgião geral do aparelho digestivo do Hospital
Albert Einstein, de São Paulo. Outras dores que costumam ser quase
ignoradas são as sentidas após a
prática da atividade física – a tendência é acreditarmos que exercício,
para funcionar, "tem de doer". Efetivamente, a dor durante ou após uma
atividade física pode até ser considerada normal, desde que se apresente
de forma leve e sem prejuízo ao sistema musculoesquelético e
cardiovascular, como aponta o ortopedista Moisés Cohen, presidente da
Sociedade Mundial de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Trauma Desportivo
e diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do
Esporte, em São Paulo. "A dor muscular, por exemplo, é muito comum após
longo período de
inatividade e geralmente desaparece após um ou dois dias, até sumir por
completo com a melhora do condicionamento físico. No entanto, realizar
qualquer atividade física com dor, em qualquer região do corpo, pode ser
um alerta e precisa ser investigada", orienta o especialista.
Veja a seguir as sete principais dores que sempre devem ser investigadas e o que os médicos dizem a respeito delas.
1. Dor de cabeça.
Dos 10 aos 50 anos, ela geralmente é causada por alterações na visão ou
nos hormônios – esta última, mais comum entre as mulheres. Acima dos 50
anos, pode estar relacionada à hipertensão.
2. Dor de garganta.
Pode ter origem em processos infecciosos por bactérias ou vírus. Caso se
torne persistente e seja associada a sintomas como rouquidão, falta de
ar, sangramento ou dificuldade para engolir, pode estar relacionada a
certos tumores nas vias aéreas ou digestivas.
3. Dor no peito.
Pode representar uma simples dor muscular na parede torácica ou,
principalmente quando intensa e aguda, indicar algum problema
cardiológico, como uma angina ou até mesmo o início de um infarto . A
falta de ar (dispneia) durante a prática esportiva pode ser normal por
falta de condicionamento, mas também pode indicar um processo alérgico
ao exercício ou alguma alteração cardiorrespiratória.
4. Dor abdominal.
Uma dor forte na parte baixa do abdome, acompanhada de dificuldade de
evacuar e eliminar gases, pode ser sinal de diverticulite aguda. Já a
dor na boca do estômago com sensibilidade do lado direito traz a
possibilidade de cólica ou infecção na vesícula biliar (parte alta do
abdome) ou ainda apendicite aguda (na parte baixa do abdome). Cólicas
intestinais com presença de muco ou sangue nas fezes podem ser suspeita
de colite ou de tumores intestinais.
5. Dor nas costas.
A má postura e o esforço físico podem machucar a coluna lombar.
Principalmente quando acompanhada de irradiação, formigamento e
diminuição de força motora nos membros inferiores, a dor nesta região
mais baixa das costas pode estar presente nos casos de hérnia de disco.
Além de minar a qualidade de vida, a dor nas costas também pode encobrir
o câncer no pâncreas.
6. Dor nas pernas.
É uma das dores mais comuns e suas causas podem ser as mais variadas,
desde problemas vasculares e artroses até doenças como hipotireoidismo e
diabetes. Especificamente, as dores nos joelhos, por tratar-se de uma
articulação extremamente vulnerável aos traumas, podem significar desde
lesões simples, como as tendinites, até lesões mais graves, como de
menisco e de cartilagem.
7. Dor no corpo todo.
Se a sensação é de que o corpo todo vive “moído”, e essa dor geral está
associada a um quadro de desânimo e falta de energia, pode ser um
sintoma de depressão ou de fibromialgia. Sentir dores, especialmente as que se prolongam por longos períodos de
tempo nunca é normal. Em todos os casos, é imprescindível procurar um
médico e investigar a origem da dor, para então buscar o tratamento mais
adequado para o problema, finalizam os especialistas.
Fonte: Blog do Sardinha/Blog Diniz K-9